A maçonaria é a maior e mais antiga fraternidade iniciática do mundo. Estima-se entre 2 e 6 milhões de membros em mais de 150 países. No Brasil, há cerca de 200 mil maçons distribuídos em múltiplas obediências. É também uma das organizações mais cercadas de mistério, teoria conspiratória e desinformação.
O que a maçonaria realmente é? De onde veio? O que acontece dentro de uma loja? É sociedade secreta, religião, grupo político ou clube filosófico? Este artigo apresenta a história, a estrutura, os rituais, as controvérsias e o que a maçonaria realmente oferece a seus membros.
O que é
A maçonaria se define como “sistema peculiar de moralidade velado por alegorias e ilustrado por símbolos”. Na prática, é uma fraternidade que utiliza rituais iniciáticos, graus progressivos e simbolismo (derivado principalmente da construção medieval) para promover desenvolvimento moral, filantropia e convivência fraterna.
Não é religião (não tem teologia, sacramentos nem promessa de salvação). Não é partido político (proíbe discussões partidárias em loja). Não é sociedade secreta no sentido estrito (sua existência é pública, seus membros são conhecidos, seus templos são visíveis). O que é reservado são os rituais e os modos de reconhecimento entre membros.
De onde vem
A origem operativa (séc. XII-XVI)
A palavra “maçom” vem do francês maçon (pedreiro). As raízes da maçonaria estão nas guildas de pedreiros (stonemasons) da Idade Média europeia, especialmente na Inglaterra e na Escócia. Esses pedreiros construíam catedrais, castelos e edifícios públicos. Organizavam-se em “lojas” (oficinas temporárias nos canteiros de obra) com regras de ofício, hierarquia (aprendiz, companheiro, mestre) e sinais de reconhecimento para identificar membros qualificados.
Os Old Charges (Antigos Encargos), documentos regulatórios das guildas a partir do século XIV, são os textos mais antigos associados à maçonaria. O Regius Manuscript (c. 1390) e o Cooke Manuscript (c. 1450) estabelecem regras de conduta, hierarquia e uma história legendária do ofício que remonta ao Egito e ao Templo de Salomão.
A transição especulativa (séc. XVII)
A partir do século XVII, as lojas de pedreiros operativos começaram a aceitar membros que não eram pedreiros de ofício: intelectuais, aristocratas, clérigos, comerciantes. Esses “maçons aceitos” ou “especulativos” transformaram gradualmente a fraternidade: de associação profissional de construtores para fraternidade filosófica e moral que usava o simbolismo da construção como metáfora.
O registro mais antigo de iniciação de um não-pedreiro é o de Elias Ashmole (antiquário e alquimista inglês) em 1646. A transição se consolidou ao longo das décadas seguintes.
A Grande Loja de Londres (1717)
Em 24 de junho de 1717, quatro lojas londrinas se uniram para formar a Grande Loja de Londres, considerada o marco fundador da maçonaria moderna. Em 1723, o pastor presbiteriano James Anderson publicou as Constituições de Anderson, que estabeleceram os princípios da maçonaria especulativa: crença num Ser Supremo (“Grande Arquiteto do Universo”), tolerância religiosa, proibição de discussão política e religiosa em loja, e estrutura de três graus (Aprendiz, Companheiro, Mestre).
A partir de Londres, a maçonaria se espalhou rapidamente pela Europa, pelas Américas e pelo mundo. No século XVIII, era a principal rede social da elite intelectual e política do Ocidente.
Estrutura e graus
Os três graus simbólicos (Craft Masonry)
1º Grau — Aprendiz (Entered Apprentice): o candidato é iniciado. O ritual simboliza nascimento, entrada na luz, compromisso com a busca pelo conhecimento.
2º Grau — Companheiro (Fellowcraft): aprofundamento. O ritual simboliza trabalho, estudo e desenvolvimento das faculdades intelectuais.
3º Grau — Mestre Maçom (Master Mason): o grau central. O ritual encena a lenda de Hiram Abiff, o arquiteto do Templo de Salomão que teria sido assassinado por três companheiros traidores que queriam arrancar dele os segredos do mestre. A lenda de Hiram é a alegoria central da maçonaria: fidelidade ao dever, coragem diante da morte, triunfo da virtude sobre a traição.
Graus superiores (Altos Graus)
Além dos três graus simbólicos, existem sistemas de graus adicionais:
Rito Escocês Antigo e Aceito: 33 graus (do 4º ao 33º). O mais praticado no mundo. Cada grau explora um tema filosófico, moral ou simbólico diferente.
Rito de York: sistema complementar com graus de Arco Real, Cavaleiro Templário e outros.
Outros ritos: Rito Brasileiro, Rito Schröder, Rito Adonhiramita, Rito de Memphis-Misraim, entre dezenas de outros.
Os graus superiores não conferem “mais poder” dentro da maçonaria. O grau de Mestre Maçom (3º) é o grau pleno de membro. Os graus adicionais são aprofundamentos filosóficos opcionais.
O que acontece numa loja
Uma reunião maçônica (chamada “sessão” ou “trabalho”) segue um ritual codificado:
Abertura ritual: o Venerável Mestre (presidente da loja) abre os trabalhos com palavras e gestos rituais. Verifica-se que todos os presentes são maçons.
Trabalho: pode incluir a leitura de uma “prancha” (palestra preparada por um membro sobre tema filosófico, moral ou simbólico), discussão, deliberação sobre assuntos administrativos da loja, ou a realização de um ritual de iniciação ou elevação de grau.
Fechamento ritual: os trabalhos são encerrados com o ritual correspondente.
Ágape (jantar fraterno): após o trabalho ritual, os membros frequentemente compartilham uma refeição. É o momento de convivência informal.
O conteúdo das pranchas pode abordar qualquer tema: filosofia, ética, história, simbolismo, ciência, literatura. A qualidade intelectual varia enormemente de loja para loja.
Maçonaria e religião
A maçonaria exige que seus membros acreditem num Ser Supremo (chamado “Grande Arquiteto do Universo” ou GADU). Não define quem é esse Ser: pode ser o Deus cristão, judaico, islâmico, hindu ou qualquer concepção de princípio divino. Ateus são tradicionalmente excluídos (embora o Grande Oriente da França aceite ateus desde 1877, o que causou cisão com as obediências anglófonas).
A maçonaria não é religião: não tem teologia, não oferece sacramentos, não promete salvação, não tem clero. Mas usa linguagem religiosa (oração, invocação ao GADU, referência a textos sagrados) e a relação com igrejas foi historicamente tensa.
A Igreja Católica condena a maçonaria desde 1738 (bula In Eminenti de Clemente XII). A condenação foi reafirmada múltiplas vezes. Em 1983, a Congregação para a Doutrina da Fé (dirigida pelo futuro Bento XVI) declarou que “os fiéis que pertencem a associações maçônicas estão em estado de pecado grave”. Os motivos: naturalismo religioso (a maçonaria trata todas as religiões como equivalentes), relativismo moral, juramento de segredo e rituais considerados incompatíveis com a fé cristã.
Igrejas protestantes têm posições variadas: algumas condenam, outras toleram, algumas têm membros maçons entre seus pastores.
Maçonaria e política
A maçonaria teve papel político significativo em diversos momentos históricos:
Revoluções do séc. XVIII: muitos líderes da Revolução Americana (Washington, Franklin, Lafayette) e da Revolução Francesa eram maçons. A maçonaria oferecia uma rede de contato entre intelectuais iluministas que compartilhavam ideais de liberdade, igualdade e fraternidade.
Independências latino-americanas: Simón Bolívar, José de San Martín e diversos líderes independentistas eram maçons. No Brasil, D. Pedro I, José Bonifácio e dezenas de figuras da independência e da República eram membros.
Republicanismo e laicismo: a maçonaria foi historicamente associada ao republicanismo e à separação entre Igreja e Estado, especialmente na França, em Portugal e no Brasil.
Perseguição: a maçonaria foi perseguida por regimes autoritários de todos os espectros: nazismo (campos de concentração para maçons), fascismo italiano, franquismo espanhol, stalinismo soviético, além de regimes islâmicos. O triângulo invertido era o símbolo que maçons usavam nos campos nazistas.
Os símbolos maçônicos
A maçonaria é um sistema de símbolos. Os principais:
Esquadro e compasso: o símbolo mais reconhecível da maçonaria. O esquadro representa a retidão moral (agir “na esquadria”, com correção). O compasso representa os limites que o maçom deve impor a si mesmo (circunscrever as paixões). Juntos, representam o equilíbrio entre razão e desejo. A letra “G” no centro pode significar God (Deus), Geometria ou GADU (Grande Arquiteto do Universo), dependendo da tradição.
Avental: o maçom usa um avental branco durante os trabalhos rituais. Herdado dos aventais de couro dos pedreiros operativos, representa trabalho, pureza e dignidade do ofício. O avental do aprendiz é liso. Os de graus superiores são progressivamente decorados.
Colunas Jakin e Boaz: duas colunas que ficam na entrada do templo maçônico. Referência às colunas do pórtico do Templo de Salomão (1 Reis 7:21). Jakin (“Ele estabelecerá”) e Boaz (“Nele há força”) representam estabilidade e força, os dois pilares da vida moral.
Nível e prumo: o nível (usado para verificar a horizontalidade) representa a igualdade entre os irmãos. O prumo (usado para verificar a verticalidade) representa a retidão de caráter. São ferramentas de pedreiro transformadas em metáforas morais.
Olho que tudo vê (Olho da Providência): representa a consciência, a vigilância moral ou o olhar de Deus sobre as ações humanas. É símbolo cristão anterior à maçonaria (aparece na iconografia da Trindade desde a Idade Média). A maçonaria o adotou, mas não o inventou.
Acácia: ramo de acácia é símbolo de imortalidade da alma. Na lenda de Hiram Abiff, um ramo de acácia marca o local onde o mestre foi enterrado. Representa a sobrevivência da verdade e da virtude além da morte.
Piso xadrez (mosaico): o piso preto e branco do templo maçônico representa a dualidade da existência: luz e sombra, bem e mal, alegria e sofrimento. O maçom caminha sobre a dualidade buscando equilíbrio.
Maçons famosos
No Brasil
D. Pedro I: iniciado em 1822 na loja Comércio e Artes, tornou-se Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil. A independência do Brasil foi proclamada por um maçom, planejada em boa parte por maçons (José Bonifácio, Gonçalves Ledo) e disputada dentro da maçonaria (a cisão entre D. Pedro e Bonifácio foi também cisão maçônica).
José Bonifácio de Andrada e Silva: o “Patriarca da Independência” era maçom. Fundou o Grande Oriente Brasílico em 1822 e foi seu primeiro Grão-Mestre, antes de ser substituído por D. Pedro I.
Marechal Deodoro da Fonseca: proclamou a República em 1889. Era maçom. A proclamação da República brasileira teve participação significativa de militares maçons.
Rui Barbosa: jurista, político e intelectual. Maçom e defensor da separação entre Igreja e Estado.
Barão do Rio Branco: diplomata responsável pela definição das fronteiras brasileiras. Maçom.
No mundo
George Washington: primeiro presidente dos EUA. Iniciado em 1752. Tomou posse como presidente usando uma Bíblia de uma loja maçônica.
Benjamin Franklin: um dos fundadores dos EUA. Grão-Mestre da Grande Loja da Pensilvânia.
Wolfgang Amadeus Mozart: iniciado em 1784 em Viena. Compôs A Flauta Mágica (1791), ópera repleta de simbolismo maçônico.
Winston Churchill: iniciado em 1901. Permaneceu maçom, embora com participação irregular nas lojas.
Voltaire: iniciado aos 83 anos, pouco antes de morrer (1778). A cerimônia foi realizada na Loja Les Neuf Sœurs em Paris, na presença de Benjamin Franklin.
Simon Bolívar: o libertador das Américas. Iniciado em Cádiz (Espanha). Fundou lojas na América do Sul.
Marquês de Lafayette: herói da Revolução Americana e da Revolução Francesa. Maçom ativo.
A maçonaria no Brasil
Chegada e independência
A maçonaria chegou ao Brasil no final do século XVIII, trazida por brasileiros que estudaram na Europa e por comerciantes estrangeiros. As primeiras lojas foram fundadas na Bahia e no Rio de Janeiro entre 1797 e 1802.
O papel da maçonaria na independência do Brasil (1822) é documentado e significativo: o Grande Oriente do Brasil funcionou como espaço de articulação política entre os líderes do movimento. A rivalidade entre as facções de José Bonifácio e Gonçalves Ledo dentro da maçonaria refletia as disputas políticas do período.
República e laicismo
A maçonaria brasileira foi fortemente associada ao republicanismo, ao positivismo e à separação entre Igreja e Estado. A “Questão Religiosa” (1872-1875), conflito entre bispos católicos e o governo imperial sobre a presença de maçons nas irmandades religiosas, foi um dos episódios que enfraqueceram a monarquia e pavimentaram a República.
Obediências atuais
No Brasil, existem múltiplas obediências maçônicas (organizações independentes que administram lojas):
GOB (Grande Oriente do Brasil): a mais antiga (fundado em 1822) e maior obediência brasileira. Pratica principalmente o Rito Escocês Antigo e Aceito.
CMSB (Confederação Maçônica Simbólica do Brasil): reúne Grandes Lojas estaduais. Pratica diversos ritos.
COMAB (Confederação Maçônica do Brasil): fundada em 2002, reúne Grandes Orientes estaduais independentes.
As obediências brasileiras não são unificadas. Existem rivalidades, disputas de legitimidade e diferenças rituais entre elas. Um maçom do GOB pode não ser reconhecido por uma Grande Loja e vice-versa.
Maçonaria feminina e mista
A maçonaria “regular” (reconhecida pela Grande Loja Unida da Inglaterra) é exclusivamente masculina. Mas existem organizações que praticam rituais maçônicos com mulheres:
Le Droit Humain (A Ordem Internacional Mista): fundada em Paris em 1893 por Maria Deraismes e Georges Martin. Admite homens e mulheres em igualdade. É a mais antiga obediência mista. Presente no Brasil.
Grande Loja Feminina de França: fundada em 1945. Exclusivamente feminina. Pratica rituais maçônicos adaptados.
Grande Loja Feminina do Brasil: fundada em 2003. Pratica o Rito Escocês Antigo e Aceito. Tem lojas em diversos estados.
A maçonaria regular não reconhece essas obediências como legítimas, mas elas operam de forma independente e crescem especialmente no Brasil, na França e na América Latina. O debate sobre a admissão de mulheres na maçonaria regular é um dos mais tensos da instituição contemporânea.
Ordem DeMolay
A Ordem DeMolay é uma organização para jovens do sexo masculino entre 12 e 21 anos, fundada em 1919 em Kansas City (EUA) pelo maçom Frank Sherman Land. O nome homenageia Jacques de Molay, último Grão-Mestre dos Cavaleiros Templários, executado em 1314.
A DeMolay não é maçonaria. Não confere graus maçônicos nem dá acesso às lojas. Mas é patrocinada pela maçonaria e funciona como viveiro: muitos DeMolays ingressam na maçonaria quando atingem a idade mínima. O programa enfatiza liderança, oratória, trabalho em equipe, filantropia e valores cívicos.
No Brasil, a Ordem DeMolay tem presença expressiva, com capítulos (unidades locais) em centenas de cidades. É uma das maiores organizações juvenis do país. Equivalentes femininos incluem a Ordem Internacional do Arco-Íris para Meninas e a Ordem das Filhas de Jó.
Membros célebres da DeMolay incluem Bill Clinton, Walt Disney, John Wayne e o astronauta John Glenn.
A rede de negócios: o lado prático da fraternidade
Um aspecto da maçonaria que raramente aparece nos textos oficiais mas que qualquer maçom reconhece: a loja funciona como rede de contatos profissionais e comerciais.
Quando um maçom precisa de um advogado, contador, médico, construtor ou fornecedor, tende a procurar primeiro entre os irmãos de loja. Quando abre uma empresa, seus primeiros clientes frequentemente são da loja. Quando busca emprego, a rede maçônica pode abrir portas que de outra forma permaneceriam fechadas.
Isso não é conspiração. É o mesmo que acontece em qualquer comunidade com vínculos de confiança: alumni de universidades, membros de igrejas, clubes de negócios, associações profissionais. Pessoas fazem negócios com quem conhecem e confiam. A maçonaria, por reunir profissionais de diversas áreas sob juramento de fraternidade, funciona como uma rede de confiança com séculos de tradição.
Alguns pontos a considerar:
Vantagem real. A rede maçônica oferece acesso a profissionais que já passaram por um filtro (sindicância, votação, convivência). Há um nível de confiança prévia que facilita transações comerciais e profissionais. Muitos maçons relatam que a rede de contatos é um dos benefícios mais tangíveis da filiação.
Risco de favorecimento. Quando a preferência por “irmãos” se torna exclusão de não-maçons, a rede se transforma em clientelismo. Quando cargos públicos, contratos ou decisões judiciais são influenciados pela fraternidade, a rede se torna corrupção. A linha entre networking legítimo e favorecimento indevido nem sempre é clara.
O não-dito. A maçonaria oficial não promove a ordem como rede de negócios. Os textos enfatizam desenvolvimento moral, filosofia e filantropia. Mas na prática, a rede de contatos é um dos motivos mais concretos (e menos declarados) pelos quais muitos homens buscam a iniciação. “Entrei pela filosofia, fiquei pelos contatos” é frase que circula informalmente entre maçons.
Paralelo com outras redes. Clubes como Rotary, Lions, câmaras de comércio e associações de ex-alunos cumprem função semelhante com menos sigilo e menos carga simbólica. A diferença da maçonaria é o juramento fraternal: a lealdade entre “irmãos” cria um vínculo mais forte do que a simples associação profissional.
Como se tornar maçom
A maçonaria não recruta. O candidato deve pedir para entrar. O processo típico:
1. Manifestar interesse a um maçom conhecido ou à loja local.
2. Indicação: um ou dois membros da loja “apadrinham” o candidato, apresentando-o formalmente.
3. Sindicância: a loja investiga a vida do candidato (antecedentes, reputação, situação familiar e profissional). Visitas podem ser feitas à residência e ao local de trabalho.
4. Votação: os membros da loja votam secretamente (com bolas brancas e pretas — daí a expressão “blackball”). Uma única bola preta pode vetar a entrada.
5. Iniciação: se aprovado, o candidato passa pelo ritual de iniciação no 1º grau (Aprendiz).
Requisitos gerais: ser homem (na maçonaria regular), ter idade mínima (geralmente 21 anos), acreditar num Ser Supremo, ter boa reputação moral, não ter antecedentes criminais, ter condições de pagar as contribuições (mensalidades e taxas de iniciação).
Tempo e custo: o processo da candidatura à iniciação pode levar de meses a mais de um ano. As contribuições variam por loja e obediência, mas geralmente incluem joia de iniciação (valor único) e mensalidades (valores modestos a moderados, comparáveis a uma mensalidade de clube).
As teorias conspiratórias
A maçonaria é protagonista de incontáveis teorias conspiratórias: governo mundial secreto, Illuminati, controle de bancos e governos, rituais satânicos, Nova Ordem Mundial.
A origem dessas teorias é rastreável: o sigilo parcial dos rituais, o simbolismo no dólar americano (o olho na pirâmide, que na verdade não é símbolo maçônico oficial), a presença de maçons em posições de poder e a propaganda antimaçônica da Igreja Católica e de regimes totalitários se combinaram para criar uma narrativa conspiratória que se retroalimenta há séculos.
A realidade é mais prosaica: a maioria das lojas maçônicas é composta por profissionais de classe média que se reúnem periodicamente para rituais, palestras filosóficas, filantropia e convivência social. O “segredo” maçônico se refere principalmente aos rituais e modos de reconhecimento, não a planos de dominação mundial.
FAQ
Mulheres podem ser maçons?
Na maçonaria “regular” (reconhecida pela Grande Loja Unida da Inglaterra), não. Mas existem obediências mistas (Le Droit Humain, fundada em 1893) e exclusivamente femininas (Grande Loja Feminina do Brasil, fundada em 2003) que praticam rituais maçônicos com mulheres. A maçonaria regular não as reconhece como legítimas, mas elas operam de forma independente e crescem no Brasil e no mundo.
A maçonaria é sociedade secreta?
Não no sentido estrito. A existência da maçonaria é pública. Seus templos são visíveis. Seus membros são frequentemente conhecidos. O que é reservado são os rituais, os sinais de reconhecimento e as deliberações internas. É mais preciso chamá-la de “sociedade discreta” ou “sociedade com segredos” do que “sociedade secreta”.
O olho na pirâmide do dólar é maçônico?
O “Olho da Providência” sobre a pirâmide inacabada no Grande Selo dos EUA (que aparece na nota de um dólar) é frequentemente atribuído à maçonaria, mas não é símbolo maçônico oficial. É símbolo cristão (a Trindade e a providência divina) que foi adotado pelo design do selo em 1782. A atribuição maçônica é lenda urbana, embora alguns dos designers do selo fossem maçons.
Qual é a relação entre maçonaria e templários?
Histórica: nenhuma direta. Os Cavaleiros Templários foram dissolvidos em 1312. A maçonaria especulativa surgiu no século XVII. Não há evidência de continuidade institucional. Simbólica: a maçonaria de altos graus (especialmente o Rito de York) incorporou a simbologia templária no século XVIII como narrativa alegórica, não como herança histórica. Artigo específico em templários.
A maçonaria ensina algo útil?
O valor da maçonaria depende da loja e do membro. O sistema ritual oferece um método de reflexão moral por meio de alegorias. A convivência fraternal oferece rede de apoio. A filantropia produz resultados concretos. Mas nada que a maçonaria oferece é inacessível fora dela: filosofia, ética, convivência e filantropia existem em muitos outros contextos. O diferencial é o método (ritual, simbolismo, graus) e a rede (fraternidade com história e tradição). Se isso vale a adesão é decisão pessoal.
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