Crise de ansiedade: o que fazer quando o corpo entra em pânico

André Sebben Ramos
Jornalista

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Neste artigo, você vai entender o que acontece no corpo durante uma crise de ansiedade, por que ela se parece tanto com um infarto, quais técnicas ajudam na hora e o que nunca fazer durante uma crise. Também vai saber quando é caso de ir ao pronto-socorro.

Começa sem aviso. Pode ser no meio de uma reunião, no trânsito, no supermercado ou às 3 da manhã na cama. O coração dispara. O ar some. O corpo inteiro entra em alerta como se algo terrível estivesse acontecendo. Mas quando você olha em volta, não tem nada. Só você, sozinho, contra o próprio corpo.

A crise de ansiedade é uma das experiências mais aterrorizantes que um ser humano pode ter. Não porque ela seja perigosa em si, mas porque simula perfeitamente uma emergência médica. Quem já teve uma sabe: a sensação é de que você vai morrer. Não vai. Mas seu corpo acredita que sim, e age de acordo.

O que acontece no corpo durante a crise

A crise de ansiedade é uma ativação intensa e abrupta do sistema nervoso simpático, o mesmo sistema que te prepara para lutar ou fugir diante de um perigo real. O cérebro interpreta uma ameaça (um pensamento, uma sensação, uma memória) e dispara uma cascata hormonal: adrenalina, cortisol, noradrenalina.

O resultado é imediato. O coração acelera para bombear mais sangue para os músculos. A respiração fica rápida e superficial para captar mais oxigênio. Os músculos ficam tensos, prontos para reagir. O sistema digestivo desacelera (por isso a náusea). A visão pode ficar turva ou com pontos luminosos. As mãos formigam. O suor aparece.

Tudo isso é o corpo funcionando exatamente como deveria funcionar diante de um perigo. O problema é que o perigo não existe. A ameaça é interna. E o corpo não distingue um tigre na floresta de um pensamento catastrófico às 3 da manhã.

Por que parece um infarto

A dor no peito, a taquicardia e a falta de ar da crise de ansiedade são praticamente idênticas aos sintomas de um infarto. Essa semelhança é o que leva milhares de pessoas ao pronto-socorro todos os anos acreditando que estão tendo um ataque cardíaco.

Na maioria dos casos, os exames voltam normais. O coração está saudável. O que houve foi uma crise de ansiedade ou um ataque de pânico. Mas a diferenciação precisa ser feita por um médico. Se você nunca teve uma crise antes e sente dor no peito intensa, vá ao pronto-socorro. É melhor ir e descobrir que era ansiedade do que não ir e ignorar um problema cardíaco real.

Com o tempo e com acompanhamento profissional, você aprende a reconhecer os sinais da sua própria crise e a diferenciá-los de uma emergência médica. Esse reconhecimento é uma das ferramentas mais poderosas contra o pânico.

Técnicas que ajudam na hora da crise

Respiração diafragmática. Inspire pelo nariz contando até 4, segure contando até 4, expire pela boca contando até 6. Repita por 2 a 3 minutos. Essa técnica ativa o sistema nervoso parassimpático (o freio do corpo) e reduz a frequência cardíaca. Não é placebo. É fisiologia.

Técnica 5-4-3-2-1 (ancoragem sensorial). Nomeie 5 coisas que você vê, 4 que pode tocar, 3 que ouve, 2 que cheira e 1 que saboreia. Essa técnica tira a atenção do pensamento catastrófico e traz a mente de volta ao presente, ao concreto, ao real.

Não lute contra a crise. Parece contra-intuitivo, mas resistir ao pânico intensifica o pânico. Reconheça: “Estou tendo uma crise de ansiedade. É desagradável, mas não é perigoso. Vai passar.” Aceitar o desconforto sem combatê-lo reduz a duração da crise.

Mova o corpo. Se possível, caminhe. O movimento ajuda a metabolizar a adrenalina que está circulando. Não precisa correr. Caminhar já faz diferença.

O que NÃO fazer durante uma crise

Não busque informações na internet no meio da crise. Pesquisar sintomas de ansiedade enquanto está em pânico só alimenta o ciclo. O Dr. Google não é aliado nessas horas.

Não tome medicação por conta própria. Tomar um ansiolítico que sobrou na gaveta sem orientação pode criar um padrão de dependência. Se você costuma recorrer a isso, leia nosso artigo sobre os riscos da automedicação para ansiedade.

Não se isole completamente. Se tiver alguém de confiança por perto, avise. Não precisa explicar tudo. Basta dizer “estou tendo uma crise, preciso de um minuto”.

Quando ir ao pronto-socorro

Vá ao pronto-socorro se for a primeira vez que sente esses sintomas e não tem diagnóstico de ansiedade, se a dor no peito for muito intensa e irradiar para o braço ou mandíbula, se houver perda de consciência, se os sintomas durarem mais de 30 minutos sem qualquer melhora, ou se você tomou alguma substância (medicamento, álcool, drogas) antes da crise.

Se você já tem diagnóstico e já passou por crises similares, o mais indicado é usar as técnicas que aprendeu em terapia e, se necessário, a medicação prescrita pelo seu médico. A terapia cognitivo-comportamental é especialmente eficaz para ensinar o manejo de crises.

FAQ — Perguntas Frequentes

Crise de ansiedade pode matar?

Não. Apesar de os sintomas serem assustadores, a crise de ansiedade não causa morte. O corpo está em estado de alerta intenso, mas os órgãos continuam funcionando normalmente.

Quanto tempo dura uma crise?

A maioria das crises dura entre 10 e 30 minutos. O pico costuma acontecer nos primeiros 10 minutos. Depois, os sintomas vão diminuindo gradualmente.

Como ajudar alguém em crise?

Fique por perto, fale com calma, ajude a pessoa a respirar devagar. Não diga “se acalma” ou “não é nada”. Valide o que ela está sentindo e ofereça presença, não conselhos.

Respiração diafragmática funciona?

Sim. A respiração lenta e profunda ativa o sistema nervoso parassimpático, que funciona como o freio do corpo. É uma das técnicas com mais evidência para manejo de crises agudas.

Posso tomar remédio por conta durante a crise?

Não é recomendado. Medicação para crises deve ser prescrita por um médico, com orientação sobre dose e frequência. Tomar ansiolíticos por conta pode criar dependência e mascarar o problema.

AUTOR
André Sebben Ramos

Formado em Comunicação Social pela UCS (2017), é jornalista, empresário e pesquisador de filosofia tomista, tradição católica e cultura. Sua trajetória reúne comunicação, teologia, metafísica e vida empreendedora, buscando traduzir grandes questões da existência em linguagem acessível, formativa e aplicada à realidade concreta.

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